Atualizado em 8 de fevereiro de 2018 às 10:50

Famílias sofrem efeitos da estiagem prolongada

João A. M. Filho Ilda mostrou tonel vazio após dois dias sem água

João A. M. Filho Ilda mostrou tonel vazio após dois dias sem água

Há 30 anos, a situação se repete. Devido à localização geográfica, à circulação atmosférica, ao fenômeno La Niña e à falta de infraestrutura de armazenamento, a população de Bagé, especialmente nos bairros mais afastados da região central, é afetada na distribuição de água. O problema histórico segue a causar transtorno a cada período de estiagem. A reportagem esteve em dois desses bairros: Ivo Ferronato e Malafaia, e constatou os problemas causados pela baixa oferta do hídrico.

Os bairros, localizados nas chamadas “pontas de rede”, Ivo Ferronato e Malafaia estão entre os mais afastados em relação à estação de tratamento de água (ETA), e também em terrenos com posição mais alta, por isso demoram mais tempo para ter o abastecimento restabelecido, especialmente desde a adoção do rodízio, aponta o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb). Conforme informações fornecidas pela autarquia, aproximadamente 80% da área urbana é abastecida por meio da gravidade, sem bombeamento, o que dificulta a oferta de água nesses bairros.

A residência da aposentada Ilda de Medeiros, 76 anos, na rua Osmar Paz Palma, bairro Malafaia, não vê uma gota de água sair das torneiras desde o domingo. “Nós vivemos numa casa com seis pessoas, duas delas crianças. Temos uma caixa de 500 litros e dois tonéis, mas eles não dão conta do que precisamos”, disse. Às 15h33min de terça-feira, enquanto ouvia o relato de Ilda, a reportagem constatou que a idosa ainda não recebera água da rede. “Nossa casa está na parte mais alta da rua, mas esse problema acontece há mais de 30 anos, desde que mudei para cá”, afirmou.

A dona de casa Maria Benícia Leandro de Lima, 58 anos, vizinha de Ilda, também passa pelo mesmo problema. Desde domingo, ela disse que a água não chegou a sua casa. “Consegui reservar um pouco para utilizar para o básico, mas acabou”, comentou. Maria reside com a mãe, a aposentada Francisca de Jesus Leandro Oliveira, 91 anos, e disse não ter mais água para as atividades diárias. “A louça está na pia, mesmo depois de ter economizado de quatro a cinco dias de água e espero conseguir um pouco para que a mãe possa tomar banho até que o abastecimento seja retomado”, relatou.

No Ivo Ferronato, o microempresário Jorge Carlos Vargas Rodrigues, 55 anos, disse que também continua sem receber água da rede. Às 16h de terça-feira, quando o bairro deveria estar sendo abastecido conforme o rodízio, o comércio de Rodrigues ainda não havia sido contemplado. “Preciso muito de água para manter a limpeza do açougue. Nós ainda temos a reserva de uma caixa de mil litros do estabelecimento, mas, desde domingo, estamos sem receber água”, declarou. Segundo ele, o bairro sempre foi afetado durante as estiagens: “Muitas vezes tivemos de carregar baldes para poder tomar banho e fazer comida em casa”, explicou. Às 16h15min, Rodrigues ligou para o número 115, para relatar que ainda não havia chegado água em seu comércio. Ouviu-se, no aparelho, ligado no viva-voz, representante da autarquia que explicou que o abastecimento seria restabelecido entre as 17h e 18h. “Não dá para ficar sem água. O movimento de famílias em busca de água mineral já aumentou por causa desse problema”, expressou.

A situação do aposentado Edir de Oliveira Valério, 70 anos, é mais grave. Segundo ele, a residência onde mora, na rua 447, não recebe água há cerca de cinco dias. “Moro há 20 anos no bairro e sempre tive esse problema. Mesmo sem gastar muito, não tem como manter reserva após cinco dias sem uma gota na torneira”, lamentou.

Medidas

A reportagem entrou em contato com o Daeb em relação à situação desses moradores e recebeu a informação de que todos devem contatar o número 115 para que as equipes possam atender os locais indicados. Também foi relatada a ocorrência de falhas nos hidrômetros, devido ao retorno da pressão na rede. Conforme informações fornecidas pela assessoria de comunicação da autarquia, a orientação para quem estiver sem água, ou com pressão muito fraca, é de que entrem em contato com o Daeb e solicitem a presença da equipe de técnicos para visita à residência. Conforme informado, é importante que o usuário não tente consertar o hidrômetro sozinho, pois pode danificar e inutilizar o equipamento.

Outra ação em andamento é o uso da carreta-tanque, com capacidade de transportar 27 mil litros de água, que vai percorrer, a partir de hoje, os bairros Floresta, Malafaia e Ivo Ferronato, que estão entre os mais prejudicados pela estiagem.

Barragens

Segundo levantamento atualizado, na tarde de ontem, pelo Daeb, a barragem da Sanga Rasa está 5,2 metros abaixo do nível normal; o Piray, 1,75m negativo. Por sua vez, a Emergencial apresentou leve melhora em relação à última leitura, com 0,5 metro de déficit, 0,25 m a mais que na última avaliação divulgada pela autarquia (0,75 m) na segunda-feira.

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Informações

Daeb – Telefones: 0800 510 2219 ou 115

Fonte Jornal Folha do Sul

 
 
 

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