Atualizado em 14 de fevereiro de 2014 às 13:06

Amizade virtual

Redes fazem com que pessoas mudem forma de se relacionarem

Cada vez mais conectadas, a maneira das pessoas se relacionarem mudou. Hoje, o Brasil conta com mais de 76 milhões de usuários no Facebook, cerca de 41,2 milhões de usuários no Twitter, fora as demais redes sociais ou profissionais. No Dia da Amizade, comemorado hoje, a FOLHA do SUL avalia quanto o ‘estar conectado’ é saudável nos círculos de amizades.
Compreende-se por amizade o relacionamento de afeto, carinho, lealdade e proteção por outra pessoa. O psicólogo Marcelo Motta observa que, na vida, ter um amigo alivia o estresse, turbina os sonhos. “Pessoas que têm amigos têm menos incidência a ter depressão ou algum tipo de fobia, por exemplo. Ultimamente, a ideia da amizade tem sofrido algumas modificações. Vemos algumas pessoas nas redes sociais com mais de dois mil amigos, porém, com poucos amigos com os quais, realmente, podem contar. A amizade é muito mais do que um like no Facebook ou um recado compartilhado no Twitter. A amizade significa envolvimento, é se relacionar, trocar, e isso parece que tem se perdido um pouco nos dias de hoje”, garante.
Entre as mudanças comportamentais, Motta afirma que a preocupação dos especialistas, hoje, é a preferência em se comunicar apenas pela internet. “Antes do advento da internet, as pessoas se encontravam, trocavam ideias pessoalmente. Hoje, muitos preferem fazer isso cada um em sua casa, pelas redes sociais ou por videoconferências”, diz. Entre os reflexos trazidos para a sociedade, o psicólogo aponta o modo de enfrentar as dificuldades cotidianas. “As pessoas estão muito mais individualistas, não querem dividir sua vida com ninguém. Nunca, na história do nosso país, procurou-se tanto por terapia. Isso porque as pessoas não têm com quem desabafar, não têm com quem contar, e a amizade, além de muitas outras coisas, funciona como esse escape”, destaca.

Nova modalidade de amizade
A internet é um mundo onde o ser pode ser praticamente tudo que desejar. Essa liberdade proporcionou um novo modelo de se sentir querido por alguém e, até mesmo, de esconder problemas na personalidade. Motta dá como exemplo pessoas tímidas, que encontram nas redes uma maneira de se relacionarem. “Essa forma de se relacionar é saudável, o que devemos estar atentos é quando a pessoa acaba trocando todo tipo de interação social, quando essa pessoa não consegue se relacionar fora das redes. Há pessoas, por exemplo, que não conseguem manter uma conversa de poucos minutos sem estar na frente do seu computador ou conectado pelo celular. Isso sim é preocupante e temos que estar em alerta, porque passa do limite do saudável”, afirma.
Outro modelo trazido pelas redes são as amizades à distância. “Muitas vezes, pessoas que não se conhecem acabam interagindo com outras com gostos em comum (seja por bandas, músicas, gêneros literários, videogames, filmes ou séries). São amizades que ocupam muito tempo na vida de algumas pessoas, e que são extremamente importantes. De qualquer forma, não podemos confundir esses relacionamentos por conveniências, com amizades verdadeiras. É claro que algumas dessas amizades acabam ultrapassando o virtual, e se tornando grandes fora da rede”, ressalta.
O psicólogo conta que não é ruim a utilização das redes, mas é preciso levar em conta que nada substitui o contato pessoal, a conversa, a diversão fora do mundo virtual. “Ter amigos nos quais podemos nos apoiar em momentos complicados é muito importante para termos uma saúde mental intacta, e não falo de quantidade, mas, sim, de qualidade. Amigos que valham à pena conviver, seja para conversar, ir a uma festa, ficar em casa jogando jogos de tabuleiro. Não importa o tipo de amigo que você tem, o importante é trocar, interagir, vivenciar essas relações”, pontua.

Amigos e a rede
O publicitário Leonardo Pimentel é um dos exemplos de que as redes sociais podem fazer bem. Utilizada tanto para relações de amizade como de trabalho, ele acredita que a tecnologia colabora para a relação entre os indivíduos. “Hoje, estar conectado é uma forma de reforçar sua identidade e, através disso, manter contato e ter contato com pessoas que estão na rede. Podemos saber ideias e assuntos que personalidades ou, até mesmo, pessoas como nós, comentam e vivenciam, através das redes. O mundo está menor para quem está conectado”, considera.
Entre outros benefícios, ele acredita que as redes, quando bem utilizadas, colaboram, sim, para que as amizades sejam sustentadas. “A rede também aproxima as pessoas. Há 30 anos as pessoas se reuniam com hora marcada, há 10 usavam os celulares para torpedos e falar, hoje, criamos eventos nas redes, combinamos via chat. Tudo ficou mais fácil”, encerra.

Fonte: Jornal Folha do Sul

 
 
 

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