Atualizado em 27 de agosto de 2013 às 12:36

Música para estimular a inteligência

Música propicia ao aprendizado

A educação deve ser vista como um processo global, progressivo e permanente, que necessita de diversas formas de estudo para seu aperfeiçoamento, pois, em qualquer meio, sempre haverá diferenças individuais, diversidade das condições ambientais que são originárias dos alunos e que necessitam de um tratamento diferenciado. Neste sentido, deve-se desencadear atividades que contribuam para o desenvolvimento da inteligência e pensamento. Assim, a música torna-se uma fonte para transformar o ato de aprender em atitude prazerosa no cotidiano do professor e do aluno, explica o músico e pedagogo, Sidemar Teixeira.
Para o professor da SOMA, a criança precisa ser sensibilizada para o mundo dos sons. “Quanto maior for a sensibilidade da criança para o som, mais ela descobrirá as suas qualidades. Portanto, é muito importante exercitá-la desde pequena, pois esse treino irá desenvolver sua memória e atenção”, destaca.
A música é um importante fator na aprendizagem, porque a criança, desde pequena, já ouve música, a qual, muitas vezes, é cantada pela mãe.” A identificação que a criança tem pela música faz desta uma aliada nas intervenções motoras, proporcionando à criança alegria e aprendizagem ao mesmo tempo. A vivência escolar é a ocasião em que a criança mais desenvolve seu esquema estrutural. A música, aliada com a psicomotricidade, torna-se ferramenta importante no desenvolvimento corporal, consolidando o caminho para um desempenho global saudável”, ressalta Teixeira.
Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor. “Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione ‘em rede’: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns”, relata.
Teixeira conta que segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. “Será por isso que Platão já afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?”, questiona.
O pedagogo argumenta que outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também são bastante intensos. “Ao mesmo tempo que a música possibilita essa diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem”, garante.

Música e emoção
A música, além de provocar fortes reações emocionais, como o arrepio, o riso e as lágrimas, pode diminuir a resposta tanto física como psíquica ao stresse. Em outras palavras, a música pode provocar redução dos níveis de ansiedade, diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca e modificação nos níveis de cortisol e adrenalina no sangue.
Teixeira aponta quais são os benefícios psicológicos da música: “estimular a comunicação entre as pessoas; aumentar a autoestima e a autoexpressão, favorecer a catarse, a introspecção, a reflexão, o surgimento de recordações, de novas sensações e emoções que, muitas vezes, não podem ser expressas por meio da fala ou da linguagem verbal”.
A música, além disso, é indicada de forma terapêutica em casos de crianças e adultos com diagnóstico de hiperatividade, porque desenvolve atenção, concentração e memória.
A música atua no corpo e na mente e desperta emoções. Neste sentido, ela equilibra o metabolismo, interfere na receptividade sensorial e minimiza os efeitos de fadiga ou leva à excitação do aluno.
De acordo com o pedagogo, a expressão musical desempenha importante papel na vida recreativa de toda criança, ao mesmo tempo em que desenvolve sua criatividade, promove a autodisciplina e desperta a consciência rítmica e estética. “A música também cria um terreno favorável para a imaginação quando desperta as faculdades criadoras de cada um. A educação pela música proporciona uma educação profunda e total”, acrescenta.
Cabe aos professores criar situações de aprendizagem nas quais as crianças possam estar em relação com um número variado de produções musicais, não apenas vinculadas ao seu ambiente sonoro, mas, se possível, também de origens diversas, como de outras famílias, de outras comunidades, de outras culturas, de diferentes qualidades: folclore, música popular, música erudita e outros.

Alfabetização com música
Teixeira também acrescenta que a música na vida do ser humano é muito importante por ser um elemento que auxilia no bem-estar das pessoas. No contexto escolar, a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois ensina o indivíduo a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida. “O primeiro passo para que a criança aprenda a escutar bem consiste em permitir que ela faça experiências sonoras com as qualidades do som, como o timbre, a altura e a intensidade. Depois disso, estará em posição de escuta. A criança que consegue desenvolver pouco a pouco a apreciação sensorial aprende a gostar ou não de determinados sons, passa a reproduzi-los e a criar novos, desenvolvendo sua imaginação. A boa música harmoniza o ser humano, trazendo-o de volta a padrões mais saudáveis de pensamento, sentimento e ação”, afirma.
Além de contribuir para a alfabetização, a música também resgata a cultura e ajuda na construção do conhecimento significativo. Não é só uma ferramenta de alfabetização, a música é um excelente instrumento de cidadania. Projetos que envolvem música, integração social e esporte, especialmente com crianças e adolescentes carentes ou de rua, espalham-se pelo país e são cada vez mais populares pela sua eficácia.
Considerando que a música é das artes a primeira, tanto na cronologia da história humana como pela importância fundamental do lugar que ocupa em nossas vidas, ela lembra sons primordiais que têm como referência as batidas do coração de nossa mãe quando estivemos em seu útero e, talvez por isso, a música tenha tantos poderes reconfortantes.
No ano de 2008, o professor ministrava aulas de música, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Monteiro Lobato, de Hulha Negra. “Realizei uma pesquisa, com 32 alunos, em torno dos alunos que estudavam música e que tinham histórico de repetência, alguns mais de dois anos. Todos esses alunos foram aprovados. Cerca de 58 alunos, que não estudaram música e não tinham histórico de repetência, mas já haviam ficado em recuperação, ficaram novamente”, conta o músico.
A musica é uma arte que deve ser retomada nas escolas, pois ela propicia ao aluno um aprendizado global, emotivo com o mundo. Na sala de aula, ela poderá auxiliar de forma significativa na aprendizagem. É necessário que os professores se reconheçam como sujeitos mediadores de cultura dentro do processo educativo e que levem em conta a importância do aprendizado das artes no desenvolvimento e formação das crianças como indivíduos produtores e reprodutores de cultura. Só assim poderão procurar e reconhecer todos os meios que têm em mãos para criar, a sua maneira, situações de aprendizagem que deem condições às crianças de construir conhecimento sobre música.
Enfim, a música é um instrumento facilitador do processo de ensino-aprendizagem, portanto, deve ser possibilitado e incentivado o seu uso em sala de aula e também fora.

Fonte: Jornal Folha do Sul

 
 
 

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