
Composição e enquadramento para retratos
Regra dos terços
DICAS
Nada contra o sol
Flash não é holofote
Quando vamos fazer uma fotografia devemos nos lembrar que temos uma tela em branco para preencher.
No negativo de 35 mm cada fotograma tem um formato retangular, com uma relação de 2/3 entre largura e altura. Algumas regras e cuidados básicos podem nos ajudar a fazer fotos com um melhor enquadramento e com uma composição proporcional e equilibrada.
Nesta dica iremos dar um exemplo de composição para retratos.
Divisão proporcional do espaço
A tendência de uma pessoa ao fazer suas primeiras fotos é centralizar o elemento principal. No caso de retratos, a pessoa fotografada é colocada no centro da foto.
Isto se deve ao fato de que, na maioria das câmeras, o controle do foco da imagem é definido por um pequeno círculo no centro do visor. Logo você foca no rosto da pessoa fotografada e dispara a câmera. A imagem obtida mostra o personagem no centro da foto, dividindo o espaço em partes iguais, criando uma estrutura simétrica e difícil de equilibrar. A parte de cima da foto também é desprezada, não sendo utilizada na composição.
Para criar uma imagem com uma composição mais proporcional basta deslocar a pessoa fotografada para um dos lados da foto. Deste modo ela irá ocupar um dos terços da imagem (imagine que você divide o retângulo do negativo em 3 partes iguais) e nos outros dois você pode equilibrar com outros objetos que estão ao redor do fotografado ou mesmo com a paisagem ao fundo.
Veja o exemplo da foto acima, tirada em Cabrália, próximo a Porto Seguro, Bahia. O pequeno índio foi colocado no canto inferior direito da foto, enquanto no outro extremo a cruz de madeira foi propositalmente colocado no extremo oposto, criando uma relação de equilíbrio no sentido diagonal da imagem. Note também que a cruz é um elemento importante no contexto da imagem, em função da relação entre a igreja e os índios, por ela catequizados.
Foto: Marcos Peron/Virtual Photo
Vamos falar sobre uma ótima técnica para distribuir os elementos na imagem: a regra dos terços.
Para usá-la você deve mentalmente dividir o visor da câmera em nove quadros na hora de compor a imagem. Depois é só colocar cada elemento nos pontos (ou próximo deles) de ligação das linhas imaginárias, ou em cada terço da imagem delimitado por elas. Pronto, você estará criando uma foto em que seus elementos estarão distribuídos de forma regular e equilibrada.
Observe a foto ao lado e o esquema dos terços: uma cena típica de praia, com pessoas se exercitando e vendedores ambulantes. Note que cada um dos personagens foi colocado em um dos terços da imagem. O velhinho fazendo ginástica ocupa o terço direito, outra pessoa próxima ao mar ocupa a área central e os ambulantes ficam com a parte da direita.
Note também que existe um senso de profundidade na imagem, evidenciando um primeiro, segundo e terceiros planos, representados pelos três personagens da foto. Há também um senso de movimento, representado pela ginástica do velhinho à direita e pelo caminhar dos ambulantes e do terceiro personagem em direção ao mar.
Outros detalhes de iluminação, como a silhueta dos personagens, criada pela forte reflexão da luz no mar, dão um toque a mais à imagem e colaboram para o efeito final da foto.
Regras à parte, o que vale sempre é o desenvolvimento de seu senso de composição e principalmente sua sensibilidade. Muitas fotos magníficas não levam em conta regras tão formais, porém elas ajudam você a educar sua mente e irão facilitar seu trabalho no futuro, na hora de compor suas fotos.
Foto: Marcos Peron/Virtual Photo
Sempre dê uma volta em torno do que você quer fotografar, antes de apertar o botão. Repare de onde vem a luz do sol e se coloque a favor dela, jamais contra. A luz deve estar sempre atrás de você, ou ao seu lado, iluminando o que você quer fotografar.
Não tente retratar áreas grandes à noite. Verifique no manual a distância que seu flash agüenta e respeite-a, fotografando apenas o que está dentro desse limite. Se sua máquina tiver aquele dispositivo para corrigir olhos vermelhos, acione-o. Se não tiver, não deixe as pessoas olharem direto para você, para amenizar o efeito olhos de vampiro.
Não adianta querer que aquela pequena lâmpada da máquina ilumine o Parque da Mônica inteiro. A luz dela só consegue clarear o primeiro plano, ou seja, uma área circular entre um e três metros. E só. Não adianta nada usar flash para fotografar paisagens. Mas, para retratar a turma no restaurante, resolve.